Cadeira de Praia de Madeira
A madeira entrou na praia pela porta da estética e da espreguiçadeira de lona clássica, não pela do transporte. Uma cadeira de praia de madeira pesa três a quatro vezes mais do que uma de alumínio, envelhece bem se for oleada e mal se for esquecida molhada. Esta página explica que espécies resistem à maresia, quanto se paga em peso e em manutenção, e em que situações a madeira é a escolha certa.
Que madeiras aguentam praia
Nem toda a madeira serve para exterior. O que distingue as espécies adequadas é o teor de óleos e extractivos naturais, que retardam o ataque de fungos, e a densidade, que reduz a absorção de água. Três espécies dominam o catálogo de cadeiras de exterior à venda em Portugal.
| Espécie | Densidade aproximada | Comportamento em ambiente salino | Manutenção |
|---|---|---|---|
| Acácia | 650 – 800 kg/m³ | Boa resistência natural à humidade; tende a fender ao sol directo se secar demasiado | Óleo uma a duas vezes por época |
| Eucalipto | 600 – 750 kg/m³ | Resistência média; aceita bem tratamento em autoclave, sem o qual acinzenta depressa | Óleo anual, mais lixagem leve |
| Teca | 600 – 700 kg/m³ | A mais estável; os óleos naturais tornam-na quase indiferente ao sal e à chuva | Pode deixar-se acinzentar sem perda estrutural |
Pinho tratado aparece em modelos económicos e funciona em quintal, mas na praia absorve areia húmida nas fibras e mancha. Faia e outras folhosas de interior não devem sequer ser consideradas: incham e descolam nas juntas ao fim de poucas semanas de exposição. Se quer perceber a lógica material antes de decidir, o comparativo madeira vs metal resume as diferenças estruturais, e o guia de materiais de cadeiras cobre os tecidos que acompanham estas estruturas.
A norma que enquadra este tipo de assento é a EN 581, relativa a mobiliário de exterior: a parte 1 fixa requisitos gerais de segurança e a parte 2 os ensaios de resistência e estabilidade para assentos. É a referência a procurar na ficha técnica, e vale mais do que qualquer adjectivo de catálogo.
Peso, volume e a questão do transporte
Uma cadeira de praia de madeira dobrável, do tipo directoire ou de lona sobre travessas, pesa tipicamente entre 4 e 8 kg. Uma espreguiçadeira de madeira de posições múltiplas chega facilmente aos 7 – 9 kg. Compare com os 1,8 – 2,5 kg de uma cadeira leve e compacta de alumínio e a conclusão é imediata: a madeira não é uma cadeira de caminhada.
Isto importa muito no contexto português. Em boa parte do litoral, o acesso ao areal faz-se por passadiço de madeira a partir de um parque de estacionamento afastado, com 200 a 600 metros de percurso, muitas vezes com escadas e sempre com sol. Carregar 7 kg de estrutura rígida, sem alça de ombro e com arestas vivas, mais geleira e guarda-sol, é uma operação que se faz uma vez e não se repete. Some ainda o volume dobrado: uma cadeira de madeira fecha num pacote fino, de 6 a 10 cm de espessura, mas comprido, entre 95 e 115 cm, que não cabe atravessado numa bagageira de citadino.
Por isso, a leitura correcta é esta: a cadeira de praia de madeira é uma cadeira de apoio de praia — para quem estaciona à beira do areal, para casas de férias com acesso directo, para praias fluviais e para o quintal ou o terraço — e não uma cadeira de transporte. Quem faz caminhada com carga deve ficar-se pelas soluções descritas em cadeira de praia mochila ou pela cadeira dobrável de tesoura em alumínio.
Areia, sal e humidade: o que acontece à madeira
A areia fina do litoral oeste comporta-se como um abrasivo suave. Nas cadeiras metálicas ataca as articulações; na madeira, ataca o acabamento. Ao fim de uma época, uma superfície envernizada apresenta micro-riscos por onde a água entra, e o verniz começa a levantar em placas — razão pela qual as cadeiras de exterior bem construídas são oleadas e não envernizadas: o óleo penetra e desgasta-se uniformemente, o verniz forma película e descasca.
O sal em suspensão, a maresia, não corrói a madeira como corrói o aço, mas cristaliza nos poros e nas juntas e mantém humidade por higroscopia. O resultado prático é a madeira demorar mais a secar e criar as condições para bolor nas zonas de sombra permanente, como a face inferior das travessas e o interior das articulações.
Os pontos fracos de uma cadeira de madeira de praia são sempre os mesmos três: as cavilhas e parafusos, que devem ser em inox A2 ou A4 e nunca em aço zincado, porque o zincado deixa escorridos de ferrugem que mancham a madeira de forma permanente; a bainha da lona, onde a água fica retida contra a travessa; e os pés, que ficam enterrados em areia molhada durante horas. Levantar a cadeira sobre uma tábua ou virá-la ao fim do dia resolve o terceiro ponto sem custo nenhum.
Manutenção com óleo: calendário realista
A manutenção de uma cadeira de madeira de exterior é pouco trabalhosa mas não é opcional. Um calendário que funciona em clima atlântico:
- Antes da época, em maio: lixagem leve com grão 180 nas zonas ásperas, aspiração do pó e aplicação de óleo específico para madeiras de exterior — óleo de teca ou óleo de linhaça modificado — em duas demãos com 6 a 8 horas de intervalo, removendo o excesso com pano.
- Durante a época: sacudir a areia seca antes de dobrar e enxaguar com água doce sempre que a cadeira apanhar salpicos de água salgada. Secar à sombra e nunca ao sol directo, que abre fendas.
- No fim da época, em setembro ou outubro: lavagem com água e detergente neutro, secagem completa de dois a três dias e uma demão de óleo de manutenção. Guardar dobrada na vertical, em local ventilado, nunca encostada a uma parede exterior húmida nem dentro de saco plástico fechado.
Se preferir o aspecto acinzentado natural, especialmente em teca, pode simplesmente lavar e deixar oxidar: a camada cinzenta é superficial e não compromete a resistência. O que não se pode dispensar é a secagem e o aperto dos ferrolhos. Para o resto do procedimento pós-praia, comum a todos os materiais, veja como limpar e guardar a cadeira de praia.
Opções recomendadas na Amazon
Cadeira dobrável de madeira com lona, tipo directoire de praia
- Estrutura em acácia ou eucalipto, 4 a 6 kg, dobra plana com 6 a 10 cm de espessura
- Lona em algodão ou poliéster substituível; carga declarada habitual 100 – 120 kg
- Faixa habitual: 45 – 90 €
Espreguiçadeira de madeira com encosto de várias posições
- 7 a 9 kg, encosto em 4 a 6 posições até quase horizontal
- Ferragens em inox; melhor para quintal, terraço ou casa à beira-mar
- Faixa habitual: 80 – 160 €
Óleo para madeiras de exterior e ferragens inox de substituição
- Óleo de teca em 500 ml a 1 l chega para duas a quatro cadeiras por época
- Parafusos e anilhas em inox A4 para substituir ferragens zincadas corroídas
- Faixa habitual: 12 – 30 €
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Perguntas frequentes
A madeira estraga-se na praia?
Não, desde que seja madeira de exterior e seja oleada uma a duas vezes por época. O que a estraga é ficar molhada e guardada sem secar, e as ferragens em aço zincado, que largam ferrugem e mancham. Acácia, eucalipto tratado e teca aguentam vários anos de utilização estival.
Quanto pesa uma cadeira de praia de madeira?
Entre 4 e 8 kg numa cadeira dobrável e 7 a 9 kg numa espreguiçadeira de posições múltiplas. É três a quatro vezes o peso de uma cadeira baixa de alumínio, o que torna a madeira inadequada para percursos longos desde o parque de estacionamento.
Que óleo se usa numa cadeira de madeira de exterior?
Óleo específico para madeiras de exterior, habitualmente vendido como óleo de teca. Aplicam-se duas demãos com 6 a 8 horas de intervalo, sempre sobre madeira seca e limpa, removendo o excesso com pano. Verniz não é recomendável porque forma película e descasca com a areia.
Cadeira de praia de madeira ou de alumínio?
Alumínio se transporta a cadeira a pé ou a usa em várias praias diferentes, porque pesa 2 a 3 kg e não exige manutenção. Madeira se estaciona junto ao areal, se a cadeira também serve de assento de quintal e se valoriza o conforto da lona larga e o aspecto.