Cadeira Auto Grupo 2/3 (15-36 kg)
A partir do momento em que a criança deixa o arnês, quem a retém passa a ser o cinto de três pontos do carro. A função da cadeira muda completamente: já não segura a criança, posiciona o cinto. Perceber isso é perceber porque é que uma cadeira de grupo 2/3 com costas não é um luxo e porque é que o encaminhamento do cinto é o único critério que não admite compromisso.
O que a cadeira faz nesta fase
O cinto de segurança de um automóvel foi dimensionado para um corpo adulto. Numa criança sentada directamente no banco, a parte diagonal apanha o pescoço em vez do ombro e a parte subabdominal assenta na barriga em vez da bacia. A consequência é dupla: a criança afasta a diagonal para o lado por incómodo, e a força de retenção passa a ser aplicada sobre vísceras em vez de osso. O elevatório resolve o problema de forma mecânica, levantando a criança até o cinto do carro passar onde deve passar.
No R44/04 esta fase cobria os grupos 2 (15-25 kg) e 3 (22-36 kg), normalmente vendidos em conjunto como grupo 2/3. No R129, os produtos correspondentes são declarados por altura, tipicamente de 100 ou 125 cm até 150 cm. A terceira fase do R129 introduziu regras específicas para assentos elevatórios, e é por isso que os modelos mais recentes indicam altura mínima superior à que se via nos elevatórios antigos. Comparamos os dois formatos em assento elevatório com e sem costas.
Onde o cinto tem de passar
| Segmento do cinto | Posição correcta | Sinal de que está mal |
|---|---|---|
| Diagonal | Sobre o meio da clavícula, entre o pescoço e a ponta do ombro | Encosta ao pescoço, ou escorrega para fora do braço |
| Subabdominal | Baixa, sobre a raiz das coxas e os ossos da bacia | Assenta sobre a barriga ou sobe acima das ancas |
| Guias do elevatório | Diagonal pela guia do apoio de cabeça, subabdominal pelos apoios de braços | Diagonal passada por baixo do braço ou atrás das costas |
| Folga | Cinto esticado, sem torções | Sobra que se consegue puxar vários centímetros |
A guia de ombro do apoio de cabeça é o que garante que a diagonal se mantém no sítio quando a criança adormece e escorrega. Sem ela, a diagonal desliza para o pescoço e a criança tira-a. Este é o argumento prático a favor dos modelos com costas.
Nunca passe a diagonal por trás das costas nem por baixo do braço, mesmo que a criança se queixe. Nessa configuração, o tronco não é retido no embate frontal e a força concentra-se toda na parte subabdominal.
Com costas, sem costas e com ISOFIX
| Formato | O que oferece | Limitações | Faixa habitual |
|---|---|---|---|
| Elevatório com costas | Guia de ombro, protecção lateral ao nível da cabeça e do tronco, apoio de cabeça regulável | Ocupa mais espaço, é menos fácil de transportar entre carros | 70 – 200 € |
| Elevatório sem costas | Eleva a criança e encaminha a parte subabdominal pelos apoios de braços | Sem protecção lateral e sem guia de ombro; a homologação recente restringe-o a crianças mais altas | 20 – 60 € |
| Elevatório com conetores ISOFIX | Mantém a cadeira presa ao banco quando a criança não está sentada | Os conetores não retêm a criança, apenas a cadeira; a retenção continua a ser do cinto | 90 – 220 € |
Há um ponto que gera confusão: num elevatório, os conetores ISOFIX servem para o assento não andar solto pelo habitáculo e para se manter alinhado, mas quem segura a criança é sempre o cinto do carro. Isso é diferente do que acontece numa cadeira de grupo 1, onde o ISOFIX faz parte da cadeia de retenção.
Quando a criança deixa de precisar
Em Portugal, a referência legal é a altura de 135 cm: abaixo desse valor, as crianças têm de ser transportadas em sistema de retenção homologado e adequado. Muitos fabricantes e autoridades europeias recomendam manter o elevatório até aos 150 cm, que é o limite superior declarado pelas cadeiras R129 desta fase, porque é a essa altura que o cinto do adulto começa a passar naturalmente onde deve. Confirme a regra aplicável ao seu caso junto do Código da Estrada ou da ANSR; resumimos o essencial em lei das cadeiras auto em Portugal e em até que idade é obrigatória.
Um teste simples, com a criança sentada no banco sem elevatório e bem encostada: os joelhos dobram na borda do assento sem a criança escorregar para a frente, as costas ficam apoiadas no encosto, a diagonal passa a meio da clavícula e a subabdominal assenta nas ancas. Se qualquer destes pontos falhar, mantenha o elevatório.
Opções recomendadas na Amazon
Elevatório com costas, apoio de cabeça regulável e conetores ISOFIX
- Guia de ombro na altura da cabeça, regulável em 8 a 12 posições
- Protecção lateral reforçada do lado da porta
- Faixa habitual: 90 – 200 €
Elevatório com costas leve, sem ISOFIX
- Tipicamente 4 a 6 kg, fácil de passar de carro para carro
- Encosto destacável para arrumar na bagageira
- Faixa habitual: 50 – 110 €
Elevatório sem costas para as últimas fases
- Só quando a criança cumpre a altura mínima declarada pelo fabricante
- Verifique que o carro tem apoio de cabeça no lugar usado
- Faixa habitual: 20 – 60 €
Guias relacionados
- Cadeira Auto
- Assento Elevatório com e sem Costas
- Cadeira Auto Grupo 1/2/3 Evolutiva
- ISOFIX vs Cinto de Segurança
- Cadeiras para Crianças: guia por idade
Perguntas frequentes
A partir de que peso se pode usar uma cadeira de grupo 2/3?
A partir dos 15 kg nas cadeiras homologadas pelo R44. Nas cadeiras R129 equivalentes, o critério é a altura mínima declarada, normalmente 100 ou 125 cm. Não antecipe a passagem: enquanto a criança couber na cadeira com arnês, o arnês retém melhor.
O elevatório precisa de ISOFIX?
Não é obrigatório, porque quem retém a criança é o cinto do carro. Os conetores servem para o assento ficar preso ao banco e alinhado, o que é útil no dia a dia e evita que ande solto quando não está a ser usado. Se o carro não tiver ISOFIX, um bom elevatório com costas continua a cumprir a sua função.
Posso usar só a almofada elevatória sem encosto?
Só quando a criança cumprir a altura mínima declarada nesse produto, que nas homologações recentes é bastante superior à dos elevatórios antigos. Sem encosto, perde a guia de ombro e a protecção lateral, por isso é uma solução para o fim do percurso e não para o início.
O que fazer se a criança tira o cinto do ombro?
Verifique primeiro se a guia de ombro está regulada à altura certa e se o encosto está bem encostado ao banco, porque na maioria dos casos o incómodo vem de uma regulação errada. Nunca resolva o problema passando a diagonal por trás das costas ou por baixo do braço.