Validade e Prazo de Uso de uma Cadeira Auto
Uma cadeira auto não tem prazo legal de validade como um alimento, mas tem um prazo de uso indicado pelo fabricante, e tem-no por razões materiais concretas. Os plásticos e as espumas que absorvem energia degradam-se com o calor e com a radiação solar, e a estrutura pode ficar comprometida por um embate sem apresentar qualquer marca visível. Esta página explica o que envelhece, onde ler a data e quando deitar fora.
Porque é que uma cadeira envelhece
A carcaça da esmagadora maioria das cadeiras é feita de polipropileno, um termoplástico escolhido pela boa relação entre rigidez, tenacidade e preço. Dentro dela, o material que faz o trabalho de absorver energia é habitualmente uma espuma de poliestireno expandido ou de polipropileno expandido, cortada ou moldada nas zonas de contacto com a cabeça e o tronco. É uma espuma que trabalha por esmagamento controlado das suas células: deforma-se uma vez, absorve energia e não recupera.
Dentro de um automóvel estacionado ao sol em Portugal, a temperatura do habitáculo ultrapassa com facilidade os 60 graus, e as superfícies escuras chegam mais alto. Ciclo após ciclo, verão após verão, a combinação de calor, radiação ultravioleta que entra pelos vidros e variação térmica provoca envelhecimento do polímero: perda de plastificantes, oxidação superficial e fragilização. Um plástico fragilizado continua a parecer igual e parte com menos energia. O mesmo se aplica à fita de poliéster do arnês, que perde resistência com a exposição solar prolongada, e às espumas, que se desfazem e compactam.
Há ainda uma componente que não é material. Uma cadeira com dez anos foi homologada segundo requisitos anteriores aos actuais, pode não ter ensaio de impacto lateral e pode já não ter peças de substituição disponíveis. O envelhecimento técnico soma-se ao envelhecimento físico.
Prazos indicados pelos fabricantes
| Elemento | Referência habitual | Como se manifesta o desgaste |
|---|---|---|
| Prazo de uso declarado | Tipicamente entre 6 e 10 anos a contar da data de fabrico, conforme a marca | Indicado no manual ou na etiqueta; varia entre fabricantes e não é uma regra universal |
| Carcaça de polipropileno | Fragiliza com ciclos térmicos e radiação | Superfície baça, riscos esbranquiçados, som seco ao toque, microfissuras junto aos pontos de carga |
| Espuma de absorção | Trabalha uma única vez | Marcas de esmagamento, esfarelamento, folga entre a espuma e a carcaça |
| Fita do arnês | Perde resistência com a radiação solar | Cor desbotada em faixas, bordos desfiados, fita que já não desliza suavemente |
| Fivela e regulador | Acumulam sujidade e sal | Fecho que não faz clique nítido, botão de abertura duro, ajuste que patina |
| Capa | Desgaste normal | Substituível pela peça original do fabricante, nunca por uma capa genérica |
O prazo declarado pelo fabricante é o critério a seguir, e consulta-se no manual da cadeira. Na ausência de indicação, o intervalo dos 6 aos 10 anos é a referência prática do sector. Note que o relógio começa na data de fabrico e não na data de compra: uma cadeira comprada em saldos pode ter passado dois anos em armazém.
Onde encontrar a data de fabrico
Há normalmente três sítios onde procurar. O primeiro é a etiqueta de homologação, habitualmente laranja, cosida ou colada na carcaça: além do regulamento e do número de homologação, muitas marcas incluem ali a data. O segundo é um autocolante próprio de fabrico, com a data em formato numérico. O terceiro, e o mais fiável quando os autocolantes já desapareceram, é a marcação moldada no próprio plástico: um relógio ou uma roda com meses e anos, em que uma seta ou uma marca indica o mês e o ano de moldagem da peça.
Vire a cadeira ao contrário e procure na base e no interior da carcaça, por baixo da capa. Se não encontrar data nenhuma e não tiver o manual, trate a cadeira como sendo de idade desconhecida, o que na prática significa não a usar se não souber a sua origem.
Substituição depois de um acidente
A regra é substituir a cadeira após um acidente com gravidade relevante, mesmo que ela pareça intacta. A razão é a mesma que faz um capacete de mota ser substituído: o material absorveu energia deformando-se ao nível da sua microestrutura, e essa capacidade não volta. As fissuras que interessam ficam frequentemente no interior da carcaça ou por baixo da capa, invisíveis a olho nu.
Em embates ligeiros, do tipo toque de estacionamento a velocidade muito baixa e sem deslocamento dos ocupantes, os fabricantes tendem a permitir a continuação do uso, mas os critérios variam entre marcas. Consulte o manual da sua cadeira e, na dúvida, contacte a assistência do fabricante descrevendo a situação. Se houve activação de airbags, deformação da carroçaria ou qualquer ocupante ferido, não hesite: a cadeira sai de serviço.
Muitas apólices de seguro automóvel cobrem a substituição do sistema de retenção infantil após um sinistro. Pergunte à seguradora antes de comprar uma cadeira nova do seu bolso, e guarde a cadeira danificada até a situação estar resolvida. Quando a inutilizar, corte as fitas do arnês antes de a deitar fora, para que não seja recuperada por outra pessoa.
O que verificar numa cadeira em segunda mão
Comprar em segunda mão é a decisão que concentra quase todo o risco desta página, porque o comprador não tem forma de verificar o único facto que mais importa: se a cadeira esteve num acidente. Um vendedor pode omitir de boa ou má fé, e não há inspecção visual que resolva. Por isso a orientação prudente é simples: aceite uma cadeira usada apenas de alguém em quem confia e que possa garantir o historial completo.
Se avançar, verifique, por esta ordem: a data de fabrico e o prazo de uso; a presença e a legibilidade da etiqueta de homologação; a existência do manual ou do acesso ao manual no sítio do fabricante; a integridade da fivela, que deve fechar com clique nítido e abrir com um só toque; o estado da fita do arnês, sem desfiados nem zonas desbotadas; a presença de todas as peças, incluindo redutor, capa original e, no caso de instalação com base, a base compatível. Falta de qualquer um destes elementos é motivo para recusar.
Como prolongar a vida útil
- Estacione à sombra sempre que possível e use um pano claro ou uma cobertura sobre a cadeira quando o carro fica ao sol. Reduzir a temperatura máxima é a medida com maior efeito.
- Lave a capa segundo o manual, tipicamente a 30 graus e sem secador de tambor, e nunca lave a fita do arnês com detergentes agressivos nem a esfregue: limpe-a com pano húmido e sabão neutro.
- Não use lixívia, solventes nem produtos de limpeza abrasivos em nenhuma parte da cadeira, porque atacam o polímero.
- Não guarde a cadeira em sótãos, garagens húmidas ou arrecadações sem ventilação entre filhos; prefira um local seco, à temperatura ambiente e ao abrigo da luz.
- Não acrescente capas, almofadas ou protecções que não sejam fornecidas pelo fabricante para aquele modelo.
- Verifique periodicamente o aperto da instalação e a folga do arnês, segundo o procedimento de como instalar uma cadeira auto.
Opções recomendadas na Amazon
Cadeira nova homologada pelo regulamento actual
- Data de fabrico recente, ensaio de impacto lateral incluído na homologação
- Peças de substituição e capas originais disponíveis durante mais anos
- Faixa habitual: 150 – 400 € consoante a fase
Protector de banco compatível e capa de sombra para o habitáculo
- Reduz a temperatura sobre a cadeira em estacionamento prolongado
- Confirme no manual da cadeira que o protector de banco é permitido
- Faixa habitual: 10 – 30 €
Guias relacionados
- Cadeira Auto
- Cadeira Auto Barata e Segura
- Como Instalar uma Cadeira Auto
- Cadeira Auto i-Size
- Cadeiras para Crianças por idade
Perguntas frequentes
Qual é a validade de uma cadeira auto?
Não existe um prazo legal, mas os fabricantes indicam um prazo de uso que se situa habitualmente entre 6 e 10 anos a contar da data de fabrico. Consulte o manual do seu modelo, porque o valor varia entre marcas, e conte a partir do fabrico e não da compra.
Tenho de mudar de cadeira depois de um acidente?
Sim, sempre que o acidente tenha gravidade relevante, mesmo que a cadeira pareça intacta. O material absorve energia deformando-se e não recupera essa capacidade, e as fissuras ficam muitas vezes ocultas. Em toques muito ligeiros, consulte o critério do fabricante.
Onde está a data de fabrico da cadeira auto?
Procure na etiqueta de homologação, num autocolante de fabrico ou numa marcação moldada no plástico, em forma de relógio com meses e anos, na base ou no interior da carcaça por baixo da capa. Se não encontrar data e não conhecer a origem da cadeira, não a use.
Posso usar uma cadeira auto emprestada?
Só se quem a empresta puder garantir que nunca esteve num acidente, que está dentro do prazo de uso e que tem todas as peças originais e o manual. Sem essas garantias, o risco não compensa a poupança.