Como Regular uma Cadeira de Escritório
A maioria das cadeiras reguláveis passa a vida na posição em que saiu da caixa. Não é falta de vontade: é que as regulações interagem entre si e, feitas por ordem errada, obrigam a refazer tudo. Esta é a sequência correcta, com valores concretos para cada passo e o teste que confirma que ficou bem.
A ordem certa e porquê
Cada regulação define a referência da seguinte. A altura do assento determina onde ficam os cotovelos, e estes a altura dos braços; a profundidade do assento determina onde fica a bacia, e esta a altura útil do apoio lombar. Alterar a primeira invalida todas as outras.
- Altura do assento, medida pelos pés e pelos joelhos.
- Altura da mesa em relação aos cotovelos — e, se a mesa for fixa, correcção com apoio de pés.
- Profundidade do assento, se a cadeira tiver assento deslizante.
- Braços, em altura e depois em largura e profundidade.
- Apoio lombar, em altura e em profundidade.
- Tensão do mecanismo e amplitude de reclinação.
- Apoio de cabeça, sempre em último lugar.
Reserve dez minutos e faça a sequência sentado na posição de trabalho real, com o computador ligado. Os manípulos habituais são: alavanca de altura sob o assento à direita, botão de profundidade sob a frente do assento, roda de tensão ao centro do mecanismo e alavanca de bloqueio de inclinação. As diferenças entre mecanismos estão em mecanismos de cadeiras.
Os seis passos, com medidas
1. Altura do assento. De pé em frente à cadeira, o plano do assento deve ficar à altura da rótula. Sentado, verifique três coisas: pés inteiramente assentes no chão, joelhos a 90 a 100° e coxas com ligeira descida da anca para o joelho. Um ângulo de anca de 95 a 105° é preferível aos 90° exactos, porque reduz a tendência da bacia para rodar para trás. Faixa típica de assento: 42 a 55 cm.
2. Altura da mesa. Com os ombros descontraídos, dobre os cotovelos a 90°: os antebraços devem ficar horizontais sobre o tampo. Se a mesa está alta — o caso mais frequente, porque o padrão de mercado é 72 a 75 cm — suba a cadeira e acrescente apoio de pés. Baixar a cadeira para acertar os pés obriga a trabalhar com os ombros levantados e passa a tensão para o trapézio. As combinações estão em altura ideal da cadeira e da secretária.
3. Profundidade do assento. Encoste-se completamente: entre a orla frontal e a parte de trás do joelho devem sobrar 3 a 5 cm, dois a três dedos. Menos, e a orla comprime a região poplítea; mais, e perde apoio na coxa. Sem assento deslizante, uma almofada lombar mais espessa avança o tronco e produz efeito parecido.
4. Braços. Regule-os para suportarem os antebraços sem levantar os ombros e sem os deixar cair. O ponto de apoio é a parte carnuda do antebraço logo abaixo do cotovelo. Em braços 3D ou 4D, aproxime-os do tronco até os cotovelos ficarem alinhados com os ombros. Se impedirem a cadeira de entrar sob o tampo, baixe-os por completo ou prescinda deles — veja cadeira de escritório sem braços.
5. Apoio lombar. A saliência deve coincidir com o ponto mais entrado da curvatura lombar, tipicamente 15 a 25 cm acima do assento, ao nível da cintura. Se fica abaixo, empurra a bacia; se fica acima, empurra as costelas e projecta o tronco à frente. Havendo regulação de profundidade, aumente até sentir contacto contínuo e firme.
6. Tensão do mecanismo e reclinação. Rode o manípulo de tensão até o encosto ceder de forma progressiva e acompanhar o tronco. O teste: encoste-se devagar; se cede de golpe, aperte; se não cede sem empurrar com força, alivie. Deixe a reclinação desbloqueada na maior parte do dia, entre 100 e 110°, e bloqueie apenas em tarefas que exijam estabilidade.
7. Apoio de cabeça. Última regulação, quando existe. Com o encosto reclinado, deve tocar a região occipital, à altura do topo das orelhas; em postura vertical de trabalho não deve tocar. O detalhe está em cadeira de escritório com apoio de cabeça.
Erros comuns e como os detectar
| Sintoma ao fim do dia | Causa provável | Correcção |
|---|---|---|
| Tensão no pescoço e nos ombros | Braços ou mesa demasiado altos; ecrã baixo | Baixar braços 2 a 3 cm; subir o topo do ecrã ao nível dos olhos |
| Formigueiro ou pressão atrás dos joelhos | Assento demasiado profundo ou demasiado alto | Recuar o assento até 3 a 5 cm de folga; baixar até os pés assentarem |
| Dor lombar surda que melhora ao levantar | Apoio lombar em altura errada ou ausente | Alinhar a saliência 15 a 25 cm acima do assento |
| Escorregar para a frente no assento | Assento inclinado para trás em excesso ou orla frontal alta | Nivelar o assento; verificar profundidade |
| Peso todo nas nádegas, num ponto | Espuma cedida ou assento demasiado duro | Almofada de assento; se a espuma já não recupera, substituir a cadeira |
| Cadeira desce sozinha durante o dia | Pistão a gás a perder pressão | Substituir o cilindro, 10 a 25 € |
Três erros de método. Regular a cadeira longe da mesa de trabalho, o que nunca reproduz a posição real. Bloquear a reclinação no primeiro dia, quando uma posição fixa, mesmo perfeita, cansa. E atribuir à cadeira problemas do posto: um ecrã baixo demais faz mais mal ao pescoço do que qualquer defeito de encosto.
Manter a regulação ao longo do dia
Uma regulação correcta não é uma posição única mantida oito horas. Alterne entre duas: uma vertical, com encosto a 95 a 105°, para escrever e usar o rato; outra recostada, a 110 a 125°, para ler e atender chamadas. Com mecanismo sincronizado, a troca faz-se sem tocar em manípulo nenhum. E levante-se cinco minutos por cada hora sentado: é a medida com mais efeito sobre o desconforto lombar em fim de dia, e nenhuma cadeira a substitui.
Reveja a regulação sempre que mudar de calçado, de mesa ou de monitor, e verifique duas vezes por ano o aperto dos parafusos da base e do mecanismo — uma cadeira que range costuma ter parafusos soltos, como se explica em como consertar uma cadeira. Se as queixas persistirem, o problema pode ser a cadeira: veja o que é exigível em cada escalão em melhor cadeira de escritório.
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Perguntas frequentes
Por onde se começa a regular uma cadeira de escritório?
Pela altura do assento, com os pés no chão e os joelhos a 90 a 100°. Só depois se acerta a relação com a mesa, a profundidade do assento, os braços, o apoio lombar, a tensão do mecanismo e, por último, o apoio de cabeça. Cada passo define a referência do seguinte.
A que altura devem ficar os braços da cadeira?
À altura em que os antebraços assentam sem levantar os ombros nem os deixar cair, com os cotovelos a cerca de 90°. O apoio é a parte carnuda do antebraço logo abaixo do cotovelo. Se os braços obrigam a elevar os ombros, estão altos; se os ombros descaem, estão baixos.
A minha mesa é demasiado alta. O que faço?
Suba a cadeira até os antebraços ficarem horizontais sobre o tampo e acrescente um apoio de pés regulável, de 20 a 45 €. Baixar a cadeira para acertar os pés obriga a trabalhar com os ombros levantados e é a causa mais comum de tensão cervical em postos de trabalho domésticos.
Devo bloquear a inclinação do encosto?
Na maior parte do dia, não. Deixe a reclinação livre, com tensão ajustada ao seu peso, para poder alternar entre uma posição vertical de 95 a 105° e outra recostada de 110 a 125°. Bloqueie apenas em tarefas que exijam estabilidade, como trabalho manual de precisão.