Cadeiras de Jardim de Plástico

Duas cadeiras de plástico com a mesma forma e o mesmo peso podem ter destinos opostos: uma continua flexível ao fim de oito anos, a outra parte-se no braço à segunda época. A diferença não se vê na loja, está na composição do polímero e na presença de estabilizadores contra radiação ultravioleta. Esta página explica o que procurar na ficha técnica e como prolongar a vida do que já tem no terraço.

Que plástico está por trás da palavra resina

Quase todas as cadeiras de exterior descritas como resina são feitas de um de três polímeros, e a ficha raramente o diz com clareza. Vale a pena saber distingui-los porque o comportamento ao sol e ao frio é diferente em cada um.

O polipropileno é o material dominante. É leve, resistente ao impacto à temperatura ambiente e aceita bem aditivos. É o que se encontra nas cadeiras injectadas de peça única, com ou sem braços. O ponto fraco é a fragilidade a baixas temperaturas: abaixo de cerca de 5 °C fica sensivelmente mais quebradiço, e uma cadeira deixada ao relento numa noite de geada na Beira Interior pode fissurar com uma pancada que no verão não deixaria marca.

O polietileno de alta densidade aparece nas cadeiras de aspecto mais robusto, moldadas por sopro ou rotomoldagem, e nas ripas que imitam madeira. É mais flexível, aguenta melhor o frio e é o mesmo material das fibras de rattan sintético descritas nas cadeiras em rattan sintético.

O PVC rígido é o menos indicado para exterior permanente. Perde plastificantes sob radiação intensa, amarelece mais depressa e fica duro. Aparece sobretudo em peças moldadas baratas e em conjuntos de saldos.

Um quarto caso frequente é o polipropileno com carga de fibra de vidro, normalmente 10 a 30 %. A cadeira fica mais rígida e suporta mais carga com a mesma espessura de parede, ao preço de alguma perda de resistência ao impacto. É a solução habitual nas cadeiras de desenho que copiam modelos de design e nas versões certificadas para esplanadas.

Porque partem as cadeiras baratas à segunda época

A radiação ultravioleta quebra as cadeias moleculares do polímero à superfície. O processo chama-se fotodegradação e manifesta-se por esta ordem: primeiro a cor esbate-se, depois a superfície ganha um aspecto pulverulento e giz ao passar a mão, e por fim aparecem micro-fissuras que se propagam para dentro até a peça partir sob carga normal.

Contra isto usam-se estabilizadores, tipicamente aminas impedidas, incorporados na massa. Uma cadeira com estabilizador adequado resiste 8 a 10 anos de exposição em Portugal; uma sem protecção fragiliza em duas a três épocas. O problema é que a ficha de produto quase nunca diz a dosagem — o que diz, quando é honesta, é tratado anti-UV ou estabilizado UV, e isso já é um sinal.

A exposição não é igual no país. No interior alentejano e na região de Beja, a radiação solar acumulada é das mais altas da Europa continental e uma cadeira sem protecção pode ficar irrecuperável numa única estação de sol directo. Numa varanda coberta virada a norte no Minho, a mesma cadeira dura anos, mas enfrenta outro inimigo: a humidade prolongada, que não degrada o plástico mas alimenta bolor nas ranhuras e no assento.

Sinais que se detectam com a cadeira na mão: cor uniforme e profunda em vez de tom lavado; superfície com brilho estável e não gizada; e ausência de linhas brancas nos cantos, que denunciam tensões internas mal aliviadas na moldagem. Uma cadeira que já mostra fissuras nas ligações do braço ao encosto está no fim da vida útil e não vale a pena tentar recuperar.

Carga, empilhamento e estabilidade

TipoPeso da cadeiraCarga declarada típicaEmpilhamento
Monobloco simples sem braços1,8 – 2,5 kg100 kg10 a 12 unidades, 4 cm cada
Monobloco com braços2,5 – 3,5 kg110 – 120 kg6 a 8 unidades
Polipropileno com fibra de vidro3,5 – 5 kg130 – 150 kg4 a 6 unidades
Estrutura metálica com assento em resina4 – 6 kg120 – 150 kgVariável, muitas não empilham

A norma europeia EN 581 cobre o mobiliário de exterior e a sua segunda parte trata especificamente de cadeiras e bancos, com ensaios de resistência e de estabilidade e níveis distintos para uso doméstico e não-doméstico. Uma cadeira monobloco certificada para uso não-doméstico foi ensaiada para muito mais ciclos de carga do que a versão doméstica equivalente — é o que se compra para uma casa onde há sempre visitas ou para um alojamento local.

No empilhamento há um erro que se paga caro: pilhas altas ao sol. As cadeiras encaixadas aquecem, o polipropileno amolece ligeiramente e a pilha deforma-se, ficando as cadeiras coladas umas às outras. Empilhe no máximo seis unidades, à sombra, e não as prense com peso em cima; há catálogo de cadeiras empilháveis de polipropileno na Amazon.es para comparar alturas de pilha. Se guarda a pilha no exterior, intercale uma folha de papel entre assentos para evitar que colem.

Sobre estabilidade, o plástico é leve e por isso voa. Uma cadeira monobloco de 2 kg num terraço de sexto andar é um projéctil com vento forte. Empilhe e prenda a pilha, ou escolha modelos com estrutura metálica se o espaço é exposto — o mesmo raciocínio que se aplica às cadeiras de alumínio.

Recuperar plástico amarelecido e sujo

O amarelecimento superficial em plástico branco tem duas causas distintas e responde a tratamentos diferentes. Se é sujidade agarrada à superfície gizada, sai com pasta de bicarbonato de sódio aplicada com esponja húmida e esfregada em movimentos circulares, seguida de enxaguamento abundante. Se é degradação do polímero, não sai — nesse caso a cadeira já está estruturalmente comprometida e o aspecto é o menor problema.

Para bolor e verdete em zonas sombrias, uma solução de água e vinagre branco na proporção de uma parte para quatro, deixada a actuar cinco minutos, resolve a maioria dos casos. Evite lixívia em concentração alta e sobretudo evite deixá-la secar ao sol na superfície: acelera a fotodegradação exactamente na zona tratada. Nunca use acetona, diluente ou esfregões metálicos — abrem microrriscos onde a sujidade volta a instalar-se em semanas. O procedimento por material está detalhado em como limpar cadeiras de qualquer material.

Depois de limpar, um produto de protecção com filtro ultravioleta para plásticos, do tipo usado em tabliers de automóvel, atrasa o gizamento se for reaplicado duas vezes por ano. Não devolve a cor perdida, mas trava a progressão. O calendário completo de manutenção está em como proteger cadeiras de jardim do sol e da chuva.

Opções recomendadas na Amazon

Melhor equilíbrio

Cadeira monobloco em polipropileno reforçado com protecção UV declarada

  • Empilhável, 2,5 a 3,5 kg, carga de 110 kg ou mais
  • Procure menção a estabilizador UV e cor tingida na massa
  • Faixa habitual: 18 – 40 € por cadeira
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Aspecto de rattan

Cadeira em resina injectada com textura entrançada

  • Dá o aspecto do rattan sem o entrançado que se desfia
  • Peça única: não há pontas soltas nem agrafos
  • Faixa habitual: 30 – 70 € por cadeira
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Uso intensivo

Cadeira de polipropileno com fibra de vidro certificada para uso não-doméstico

  • Carga declarada de 130 a 150 kg, mais rígida no encosto
  • Indicada para alojamento local e famílias grandes
  • Faixa habitual: 40 – 80 € por cadeira
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Perguntas frequentes

Quanto tempo dura uma cadeira de jardim de plástico ao sol?

Com polipropileno estabilizado contra radiação ultravioleta, 8 a 10 anos de exposição normal em Portugal. Sem protecção, a superfície gizada e as primeiras fissuras aparecem ao fim de duas a três épocas, mais depressa no interior sul do que no litoral norte.

Como tirar o amarelecido das cadeiras de plástico brancas?

Se for sujidade agarrada à superfície, uma pasta de bicarbonato de sódio com esponja húmida e enxaguamento abundante resolve. Se o amarelo for degradação do próprio polímero, não sai e a cadeira já perdeu resistência. Nunca use acetona nem esfregão metálico.

Quantas cadeiras de plástico se podem empilhar?

Seis unidades é o limite prudente, e sempre à sombra. Pilhas altas ao sol aquecem, o polipropileno amolece e as cadeiras ficam coladas e deformadas. Não coloque peso em cima da pilha.

As cadeiras de plástico podem ficar no exterior no inverno?

Podem, mas o polipropileno fica mais quebradiço com o frio e uma pancada abaixo de 5 °C pode fissurá-lo. Em zonas com geada, empilhe e cubra ou guarde num arrumo. A chuva em si não degrada o material, só favorece bolor nas ranhuras.